Amor: Existem por aí imensas cartas de amor

Existem por aí imensas cartas de amor...
Existem por aí imensas mensagens de amor, e todas têm algo diferente e algo em comum entre si. Penso que estamos todos de acordo que a semelhança está no conhecimento - e mais que isso: na experiência - da dor de amar. A diferença é que cada um sofre de maneira diferente...
Há muito tempo que não sabia o que era estar apaixonada, o que era gostar tanto duma pessoa cujos defeitos não são incómodo algum para nós. Há muito tempo que não sabia o que era desejar tanto alguém, que esse desejo se torna numa desilusão criada por nós mesmos; desejamos tanto alguém que começamos a perder a esperança; desejamos tanto alguém que o medo se cola a nós; desejamos tanto alguém que esse desejo se liberta nas lágrimas que nos queimam as faces...
Há muito tempo que não sabia o que era amar.
Há tanto tempo que não sabia o que era amar, que até pensava nunca tê-lo sabido de todo. Há tanto tempo que não sabia o que era amar, que até amar não fazia sentido no meu coração, que tanto ama, e que tão ardente e apaixonante é esse amar. Há tanto tempo que não sabia o que era amar, que até o amor parecia um paraíso longínquo, distante, onde só lá poderia chegar, se entretanto morresse. Há tanto tempo que não sabia o que era amar, que até me sentia desprovida, desprotegida, como se esse sentimento, como se o amor me fosse dar um tiro no lugar exacto onde se ama.
Há tanto tempo que não sabia o que era o amor, que nem me sentia merecedora dele.
Há tanto tempo que desconhecia o amor, que o amor se me tornou uma utopia. Que triste este amor - um sentimento tão alegre.
Sentimento ou estado-de-espírito?!
Deixem-me dizer-vos que não me considero uma romântica. Nem sei bem o que significa ser romântico - rosas e jantar à luz das velas? Romancismo... Será sentir ou mostrar que se sente? Será dizer ou provar aquilo que se diz? Será nem uma coisa nem outra?...
Para mim, amar não é falar. Para mim, amar é demonstrar. As palavras devem vir no fim, para completar, para realçar aquilo que se sente, aquilo que se mostra.
São inúmeros os adjectivos que qualificam o amor - bons e maus. Mas... o amor a mim nunca me fez mal. Aliás, o amor vem sempre como uma lufada de ar fresco... É como quando, após dias intermináveis de ventos e chuvas e relâmpagos, afastamos de repente as cortinas escuras, negras, da janela e um Sol nos sorri, como se nos convidasse a viver um novo dia cheio de calor.
O amor é assim mesmo: ... repentino e impertinente!
Aquando diferentes temperaturas, uma constipação, uma gripe, nem nos bate à porta, entra de rompante e ataca o anfitrião.
Às vezes, o amor também nos manda ao chão...
Mas se o amor dói é porque existe realmente... Já pensaram nisso? Tudo o que é verdadeiro... dói, certo? É assim que temos a certeza que ele - o tão talvez, e talvez injustamente, hostil amor - chega e nos diz "Falas tanto de mim; agora, vamos lá ver como te comportas na minha presença". Sim, às vezes, também tenho vontade de bofeteá-lo.
Mas, enfim, não há flor sem chuva. E tal como uma flor cresce tão depressa, outra cresce tão devagar. E que piada teria se o amor fosse todo e sempre igual? Para além do mais, fará mal o amor ter piada? Não podemos negá-lo, quando nos mete a rir e a chorar ao mesmo tempo...
Que irónico que é este amor de que vos falo. O amor não nos traz só más notícias... Na verdade, acredito que nos oferece imensas prendas e nunca vem de mãos a abanar. Cada um de nós recebe aquilo que está pronto a aceitar. Tantas prendas que lhe recusamos, sem qualquer curiosidade. Tantas más notícias que aceitamos, sem qualquer esperança.
O amor é assim: diferente em cada canto; igual em cada encanto.

- Stephanie Nomad  


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