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A mostrar mensagens de outubro, 2018

Desabafo de uma infância recalcada

Nasci e cresci e sempre vivi, até hoje, num núcleo familiar que defendia que a última palavra pertencia à figura masculina e mais velha do lar. A minha mãe dizia muitas vezes: “A última palavra é a do teu pai”. Habituei-me a ouvir esta regra, mas nunca me conformei com ela. Mulher, porque é que sempre te reduziste à sombra de um homem, à espera de colher os frutos que só ele decidia quando os deixar cair? Homem, porque é que, com os teus infinitos ramos, nunca puxaste a tua mulher para fora da sombra, para que ela também pudesse apanhar o sol e fazer crescer os seus próprios frutos? A culpa é dos dois. Sim, há culpa, há raiva. E eu sei que não me devo intrometer no modo de vida de duas pessoas, mas intrometo-me indirectamente. Apetece-me ser eu a puxar a mulher pelo braço e a fazê-la ver que a vida não se vive à sombra, pois lá não cresce nada. Apetece-me ser eu a bater no homem e a fazê-lo perceber que a sua falta de gratidão por quem o apoia e não deixa desabar só o faz apodrecer....
Conversas "consideradas" inteligentes aconchegam-nos a alma; uma boa alma aconchega-nos o coração. A comunicação está presente em todos os aspectos da nossa vida; é através da comunicação que nos permitimos conhecer a nós próprios e ao mundo que nos rodeia. O curioso e interessante da comunicação é que esta não é feita somente através de palavras ou gestos; a comunicação é feita através de atitudes e comportamentos também. Quando nos sentamos em volta de uma mesa com um par de pessoas "consideradas" inteligentes, e se uma boa conversa sobre questões filosóficas, como "qual o significado da vida" ou "será que existe algo para além do que vemos" se gera sob o vapor do chá nas canecas à nossa frente, sentimo-nos livres, inteligentes; a nossa alma expande-se, voa para além de conceitos e teorias que nunca pensámos compreender. Sentimo-nos produtivos, pois, quanto mais um assunto é debatido, mais próximos nos posicionamos da sua conclusão. E não há ...